HQ interativa com caso completo. Leia cada quadro, avance e responda às decisões quando aparecerem. Todas as alternativas — certas e erradas — recebem um feedback completo.
Cena 1 de 5
João, 29 anos, procura a UBS relatando disúria há três dias. Durante a triagem, fala pouco e desvia o olhar quando o assunto se aproxima de "vida sexual".
Cena 2 de 5
A enfermeira precisa decidir como conduzir a anamnese sexual dirigida de João, que já demonstrou desconforto com o tema.
Decisão 1 — Qual abordagem de anamnese é mais adequada?
Essa conduta está correta. Percorrer os cinco eixos sem pressupor a prática de João — em vez de presumir monogamia ou uma única prática — é o que permite captar exposições reais, incluindo práticas orais e anais, que orientam diretamente a escolha dos sítios de coleta mais adiante.
Uma linguagem acolhedora, sem julgamento, também responde ao desconforto que João já demonstrou, aumentando a chance de ele relatar informações que, de outra forma, poderia omitir.
Para a prática, nunca presuma a prática sexual da pessoa a partir de aparência, idade ou tipo de parceria relatada — pergunte diretamente, com acolhimento, pelos cinco eixos.
Essa conduta precisa ser revista. Presumir que a parceria estável de João esgota sua vida sexual é uma suposição que pode não corresponder à realidade — e, se houver práticas orais ou anais não investigadas, sítios relevantes de coleta podem ser deixados de fora mais adiante.
Na prática, essa presunção tende a produzir uma anamnese incompleta, silenciando justamente os eixos que mais precisam de pergunta direta, como práticas e proteção.
A orientação transferível é: nunca restrinja a investigação a partir de uma suposição sobre o tipo de parceria — pergunte pelos cinco eixos com todas as pessoas, independentemente do que pareça mais provável.
Cena 3 de 5
Com a pergunta aberta e sem julgamento, João relata que tem práticas orais e anais receptivas com parcerias eventuais, além da disúria que motivou a consulta.
Cena 4 de 5
Com a anamnese revelando exposição genital, anal e oral, a equipe precisa decidir quais sítios avaliar.
Decisão 2 — Qual estratégia de coleta é mais adequada para João?
Essa conduta está correta. A coleta multissítio (genital, anorretal e orofaríngea) responde diretamente às práticas que João relatou — restringir a coleta ao sítio sintomático deixaria de investigar sítios expostos que podem estar infectados de forma assintomática.
Essa decisão reduz o risco de subdiagnóstico e de João continuar transmitindo uma infecção não identificada em um sítio que não gerou sintoma.
Para a prática, use sempre a exposição relatada na anamnese — não apenas o sintoma que motivou a consulta — para decidir quais sítios coletar.
Essa conduta precisa ser revista. Coletar apenas no sítio genital porque foi ali que o sintoma apareceu ignora as práticas anais e orais que João acabou de relatar — uma infecção pode estar presente e assintomática nesses outros sítios.
Essa restrição tende a produzir exatamente o subdiagnóstico que a coleta multissítio busca evitar, deixando João exposto a complicações e à transmissão continuada.
A orientação transferível é: o sintoma que motivou a consulta não deve ser o único critério para escolher onde coletar — use a exposição relatada na anamnese.
Cena 5 de 5 — Fechamento
O caso de João conecta os dois pilares deste módulo: uma anamnese dirigida pelos cinco eixos, conduzida sem julgamento e sem presunções, é o que revela as exposições reais que, em seguida, orientam uma coleta multissítio precisa — sem essa sequência, sítios expostos podem ficar sem avaliação.
Decisões tomadas neste caso: