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Questão 1 de 5
Uma pessoa adulta, após receber explicação acessível sobre riscos, benefícios e alternativas, recusa a realização de um exame para IST.
Qual conduta da equipe de enfermagem respeita a autonomia dessa pessoa?
A. Reconhece corretamente que o exame é clinicamente indicado, mas insistir em realizá-lo contraria a decisão já esclarecida da pessoa: a indicação técnica orienta a oferta do cuidado, não substitui o consentimento de quem tem capacidade para decidir. O princípio a aplicar é registrar a decisão e manter a porta aberta para o cuidado, sem impor o procedimento.
B. Essa é a conduta que melhor respeita a autonomia: reconhece que a pessoa foi devidamente informada, documenta a decisão tomada e mantém o vínculo de cuidado disponível para o futuro, sem punir a recusa. O princípio central é que autonomia inclui o direito de aceitar ou recusar um procedimento após esclarecimento adequado, sem que isso encerre o acesso ao serviço.
C. Reconhece, de forma implícita, que a recusa foi feita, mas trata a discordância como motivo para romper o vínculo de cuidado, o que não é sustentado pelo princípio da autonomia: recusar um exame específico não é recusar o cuidado como um todo. O princípio a aplicar é manter o acesso ao serviço disponível, independentemente da decisão tomada naquele momento.
D. Reconhece a importância de uma decisão bem informada, mas desloca a autoridade decisória para um terceiro que não tem, nessa situação, competência legal para decidir pela pessoa atendida. O princípio a aplicar é buscar sempre o consentimento da própria pessoa adulta e capaz antes de qualquer autorização externa.
Questão 2 de 5
Um adolescente demonstra, durante a consulta, compreensão sobre sua condição, o tratamento proposto e as consequências de cada decisão, sem nenhuma situação de risco grave descrita no caso.
Qual conduta orienta corretamente o atendimento desse adolescente?
A. Reconhece a importância do envolvimento familiar em muitas situações, mas generaliza essa exigência para um caso em que o próprio adolescente já demonstrou discernimento suficiente. O princípio a aplicar é que a exigência de responsável não é automática: depende da compreensão demonstrada e da ausência de risco grave.
B. Essa é a conduta adequada: reconhece a compreensão demonstrada pelo adolescente sobre sua condição, tratamento e consequências, e por isso prioriza a privacidade e a capacidade de consentimento já evidenciadas. O princípio central é que discernimento comprovado e ausência de risco grave orientam a proteção da autonomia do adolescente, sem prejuízo do cuidado.
C. Reconhece que a família pode ter um papel relevante no cuidado, mas transforma essa possibilidade em uma revelação automática e incondicional, o que não encontra respaldo quando o adolescente já demonstrou discernimento. O princípio a aplicar é que a comunicação com a família depende das condições apresentadas em cada caso, não de uma regra fixa.
D. Reconhece uma preocupação legítima com o impacto emocional da informação, mas a omissão do diagnóstico compromete o próprio consentimento que se pretende respeitar: sem informação acessível, não há decisão verdadeiramente autônoma. O princípio a aplicar é que informação clara e compreensível é pré-requisito para qualquer consentimento e para a continuidade do cuidado.
Questão 3 de 5
A equipe de enfermagem avalia se deve compartilhar uma informação protegida por sigilo profissional, obtida durante o atendimento a uma pessoa com IST.
Qual análise deve necessariamente anteceder essa decisão?
A. Reconhece que a equipe pode ter interesse no caso, mas trata curiosidade profissional como se fosse um fundamento válido para quebrar o sigilo, o que nunca é sustentado pelas hipóteses excepcionais previstas. O princípio a aplicar é que só autorização expressa, dever legal ou justa causa fundamentam o compartilhamento, nunca o interesse da equipe.
B. Essa é a análise correta: reconhece que o compartilhamento de informação protegida só se sustenta diante de uma das hipóteses excepcionais reconhecidas, e que mesmo assim a informação deve ficar limitada ao estritamente necessário. O princípio central é que toda exceção ao sigilo exige fundamento específico, finalidade definida e proporcionalidade na informação compartilhada.
C. Reconhece a relevância do diagnóstico para a condução do cuidado, mas transforma a existência da IST, por si só, em autorização para divulgação, o que contraria diretamente a regra do sigilo. O princípio a aplicar é que o diagnóstico não é, isoladamente, uma das hipóteses excepcionais que autorizam o compartilhamento da informação.
D. Reconhece uma preocupação legítima com o estigma social ligado às ISTs, mas propõe resolvê-la por um caminho que produz o efeito oposto: divulgar o caso amplia a exposição e o próprio estigma que se pretende combater. O princípio a aplicar é que a divulgação indevida de informação protegida nunca é justificada como estratégia de prevenção ao preconceito.
Questão 4 de 5
O enfermeiro identifica, durante o atendimento, um agravo que está sujeito à notificação compulsória prevista no fluxo de vigilância epidemiológica.
Qual conduta concilia corretamente o dever legal de notificar com a privacidade da pessoa atendida?
A. Reconhece corretamente a importância do sigilo, mas aplica esse princípio de forma equivocada, deixando de cumprir um dever legal expressamente previsto para agravos de notificação compulsória. O princípio a aplicar é que a notificação ao sistema de vigilância não é uma opção do profissional: é uma obrigação legal que convive com o sigilo, e não o contradiz.
B. Essa é a conduta correta: reconhece o dever legal de notificar o agravo e, ao mesmo tempo, preserva o sigilo epidemiológico, encaminhando a informação apenas pelo fluxo técnico previsto para a vigilância em saúde. O princípio central é que a comunicação sanitária obrigatória não equivale a divulgação pública e deve seguir estritamente o canal institucional definido.
C. Reconhece a importância da vigilância epidemiológica para a saúde coletiva, mas confunde o dever de notificar o sistema com uma suposta autorização para informar a comunidade diretamente, o que não está previsto e expõe a pessoa atendida. O princípio a aplicar é que dados que permitam identificação, direta ou indireta, nunca devem ser divulgados fora do fluxo técnico.
D. Reconhece uma tentativa de equilibrar registro e sigilo ao omitir nomes, mas ainda assim cria um canal de divulgação não previsto no fluxo oficial de notificação, o que pode permitir identificação indireta da pessoa. O princípio a aplicar é que a notificação deve seguir exclusivamente o sistema de vigilância epidemiológica, nunca canais paralelos de comunicação interna.
Questão 5 de 5
Durante a anamnese, a equipe de enfermagem atende uma pessoa trans que solicita o uso do nome social em todo o atendimento.
Qual prática fortalece o vínculo de cuidado nessa situação?
A. Reconhece a existência de um documento oficial como referência possível, mas ignora que o nome social é um direito já reconhecido no SUS, e seu desrespeito compromete a confiança necessária para uma anamnese completa. O princípio a aplicar é que usar o nome pelo qual a pessoa se identifica é parte do cuidado tecnicamente correto, não apenas um gesto de cortesia.
B. Essa é a prática que fortalece o vínculo: reconhece o nome social como parte do respeito devido e conduz a anamnese com perguntas técnicas sobre práticas e necessidades, sem juízo moral sobre a identidade da pessoa. O princípio central é que respeito à identidade e rigor técnico não são conflitantes — juntos, produzem informação clínica mais completa.
C. Reconhece uma tentativa de evitar constrangimento, mas a omissão de perguntas clinicamente relevantes compromete a qualidade da anamnese e pode deixar de identificar necessidades de cuidado importantes. O princípio a aplicar é que perguntas sobre práticas e saúde sexual podem e devem ser feitas de forma técnica e respeitosa, sem serem substituídas pelo silêncio.
D. Reconhece que o desconforto de um profissional pode existir, mas resolve esse desconforto transferindo o atendimento em vez de qualificá-lo, o que reforça barreiras de acesso já enfrentadas por essa população. O princípio a aplicar é que a resposta ao preconceito, próprio ou alheio, é a qualificação da conduta profissional, nunca o afastamento da pessoa atendida.
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