Olá, boas-vindas ao Módulo 1 do curso Redes Sociais e o Trabalho de Enfermagem do Coren-SP. Neste módulo, vamos conversar sobre situações reais do uso de redes sociais e meios digitais no exercício da Enfermagem — sigilo e privacidade do paciente, conduta no ambiente de trabalho, vulnerabilidade e consentimento no uso de imagem, e os limites da publicidade profissional — para que você reconheça riscos, avalie implicações éticas e legais e escolha, com segurança, a conduta mais adequada em cada situação.
Bons estudos!
Sigilo, privacidade e dados sensíveis
Júlia, profissional de Enfermagem, participa do atendimento de um paciente internado após uma complicação hemorrágica relacionada ao uso inadequado de um medicamento anticoagulante, morador da mesma região onde ela vive. Ao perceber comentários da comunidade sobre a internação e desejando alertar os moradores sobre os riscos da automedicação, ela envia a um grupo de WhatsApp do bairro uma mensagem que não menciona o nome do paciente, mas informa sua faixa etária, a região onde mora, o período da internação, o tipo de complicação e o medicamento envolvido.
A combinação dessas informações permite que os participantes do grupo identifiquem quem é o paciente, e a mensagem chega a seus familiares por meio do encaminhamento a outros grupos — uma boa intenção que, sem que Júlia percebesse, transformou um cuidado em exposição.
A decisão sobre esta situação é tomada no objeto interativo de aprendizagem que integra este curso, apresentado mais adiante como Episódio 1. Ao longo deste módulo, você vai reencontrar Júlia e outras três situações semelhantes, cada uma com seu próprio ponto de decisão.
O que você vai aprender
Ao longo deste módulo, você vai:
- Identificar situações de risco relacionadas ao uso de redes sociais e meios digitais no exercício profissional.
- Analisar as implicações éticas, legais e institucionais das condutas envolvidas.
- Selecionar a conduta profissional mais adequada com base na legislação e nas normas profissionais.
- Aplicar esses princípios em situações semelhantes à sua prática.
Redes sociais no dia a dia da Enfermagem
O que está realmente em jogo quando uma decisão sobre publicar, gravar ou compartilhar é tomada em poucos segundos, no meio da rotina de trabalho?
As redes sociais fazem parte da rotina de trabalho da Enfermagem — uma publicação, uma mensagem em um grupo, um vídeo gravado no ambiente de trabalho são pequenas decisões que podem ter consequências éticas, legais e institucionais. A própria regulamentação da categoria (Resolução Cofen nº 554/2017) reconhece a possibilidade de os profissionais utilizarem meios de comunicação para atividades educativas e para divulgar serviços compatíveis com suas competências: o uso de mídias digitais não é, em si, incompatível com a Enfermagem.
O que exige atenção é a forma, a finalidade, o conteúdo, a identificação das pessoas envolvidas e a ausência de limites éticos, técnicos ou institucionais em uma publicação. O vídeo a seguir apresenta essas quatro frentes de atenção — sigilo, comportamento no ambiente de trabalho, proteção da imagem de pessoas vulneráveis e publicidade profissional — que você vai reencontrar, uma a uma, nas situações fictícias apresentadas na sequência deste módulo.
Cuidar dessas fronteiras não protege apenas quem aparece direta ou indiretamente em uma publicação: protege também a confiança que a sociedade deposita na Enfermagem como profissão — e é exatamente essa confiança que está em jogo nas quatro situações que você vai acompanhar a seguir, a começar pela própria Júlia, cujo caso você já conheceu.
Conduta no ambiente de trabalho e resposta a publicações já realizadas
O que fazer quando o problema não é impedir uma publicação, mas responder a uma que já aconteceu?
Durante um intervalo em uma unidade ambulatorial, alguns profissionais de Enfermagem decidem gravar um vídeo para publicação em rede social, aproveitando uma música em alta. Usando uniforme e crachá, realizam uma coreografia em uma sala destinada ao preparo de materiais, utilizam embalagens vazias e um garrote como objetos de cena, e simulam de forma bem-humorada a reação de uma pessoa que desmaia durante uma coleta de sangue. Ao fundo, é possível visualizar parte do nome da instituição, uma escala de trabalho fixada na parede e materiais utilizados na assistência. O grupo pretende publicar o vídeo em um perfil pessoal.
A decisão sobre esta situação é tomada no objeto interativo de aprendizagem que integra este curso, apresentado mais adiante como Episódio 3 (dos 4 episódios do mesmo objeto). Antes de prosseguir, avalie as alternativas apresentadas e escolha a que considerar mais adequada; a fundamentação de cada alternativa é apresentada no próprio objeto, após sua escolha.
Quando uma publicação como essa já foi realizada, a resposta institucional apropriada inclui: retirar ou limitar imediatamente sua circulação; evitar discussões ou justificativas públicas que ampliem a repercussão; comunicar a liderança quando houver identificação da instituição ou exposição de informações do ambiente; verificar se pessoas, documentos ou dados aparecem na gravação; conversar com os envolvidos para construir medidas de prevenção; e revisar as orientações institucionais sobre produção de conteúdos em áreas de trabalho.
O objetivo dessas medidas é reduzir possíveis danos e transformar a situação em oportunidade de aprendizagem, e não expor ou humilhar os profissionais envolvidos.
Vulnerabilidade, consentimento e uso de imagem de pacientes
Uma boa intenção autoriza, por si só, o uso da imagem de uma pessoa que não está em condições de decidir?
Marcos, profissional de Enfermagem, participa de uma ação itinerante de saúde realizada em um abrigo temporário, prestando cuidados a pessoas que precisaram deixar suas residências após uma situação de emergência na região.
Para divulgar a ação e incentivar doações, ele grava pequenos vídeos com seu telefone pessoal; em uma das gravações aparece uma idosa recebendo cuidados em uma lesão na perna, sonolenta, com dificuldade para compreender as perguntas da equipe e sem perceber, aparentemente, que está sendo filmada. Ele pretende publicar o conteúdo acompanhado de uma mensagem que associa a imagem da paciente à mobilização de doações.
A decisão sobre esta situação é tomada no objeto interativo de aprendizagem que integra este curso, apresentado mais adiante como Episódio 2 (dos 4 episódios do mesmo objeto, junto com a situação de Júlia). Antes de prosseguir, avalie as alternativas apresentadas e escolha a que considerar mais adequada; a fundamentação de cada alternativa é apresentada no próprio objeto, após sua escolha.
Quando um conteúdo como esse já foi publicado, a resposta institucional apropriada inclui interromper a circulação e retirar a publicação, evitar novas postagens que ampliem a identificação, comunicar a liderança e o fluxo institucional responsável pela privacidade e proteção de dados, verificar se o conteúdo foi compartilhado por outros perfis, avaliar quais informações pessoais e de saúde foram expostas, e revisar as práticas da equipe sobre registro de imagens e uso de dispositivos pessoais. Uma boa intenção não neutraliza uma exposição inadequada: quanto maior a vulnerabilidade da pessoa, maior deve ser o cuidado com sua imagem, sua privacidade e sua capacidade de decidir.
Publicidade profissional, categoria e limites de atuação
Até onde vai o que um profissional pode prometer, ou sugerir, sobre os resultados do próprio trabalho?
Larissa é técnica de Enfermagem e está concluindo a graduação em Enfermagem.
Interessada em ampliar sua atuação, criou um perfil comercial nas redes sociais para divulgar atendimentos domiciliares relacionados ao cuidado de feridas e ao acompanhamento de pessoas no período pós-operatório, apresentando-se na descrição do perfil como "enfermeira especialista em feridas e cicatrização" e utilizando, em suas publicações, frases como "cicatrização rápida e garantida", "resultados visíveis desde o primeiro atendimento" e "tratamento totalmente seguro e sem complicações". Embora esteja próxima de concluir a graduação, Larissa possui inscrição profissional apenas como técnica de Enfermagem e não tem título de especialização registrado no Conselho Regional.
A decisão sobre esta situação é tomada no objeto interativo de aprendizagem que integra este curso, apresentado mais adiante como Episódio 4 (dos 4 episódios do mesmo objeto). Antes de prosseguir, avalie as alternativas apresentadas e escolha a que considerar mais adequada; a fundamentação de cada alternativa é apresentada no próprio objeto, após sua escolha.
Caso um perfil já esteja publicado nesses termos, as medidas apropriadas incluem retirar imediatamente os títulos de enfermeira e especialista, informar a categoria atual e o número de inscrição no Coren, remover promessas de resultado garantido, revisar publicações e materiais comerciais, suspender a divulgação de atividades que ultrapassem a habilitação, e buscar orientação de um enfermeiro responsável e do Conselho Regional. Essas medidas não têm como finalidade desvalorizar a trajetória acadêmica ou a experiência do profissional: o objetivo é desenvolver uma presença digital coerente com a formação atual, protegendo os usuários e fortalecendo a confiança na Enfermagem.
Casos interativos — as quatro decisões
Chegou a hora de decidir: o que você faria em cada uma dessas quatro situações?
As quatro situações apresentadas neste módulo (Júlia, o vídeo de "trend" no ambiente de trabalho, Marcos e Larissa) têm seu ponto de decisão neste único objeto interativo, em quatro episódios. Escolha a conduta que considerar mais adequada em cada um; a fundamentação de cada alternativa aparece somente depois da sua escolha.
As quatro situações que você já leu compartilham a mesma base normativa: a Resolução Cofen nº 554/2017, que estabelece os critérios de uso e comportamento dos profissionais de Enfermagem nas mídias sociais, e a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), que trata do tratamento de dados pessoais e sensíveis — inclusive dados de saúde. É essa base que sustenta cada uma das alternativas apresentadas a seguir, mesmo quando a situação parece, à primeira vista, apenas uma questão de bom senso.
Nas quatro situações, o padrão que se repete é o mesmo: o risco raramente está na intenção do profissional, e sim na falta de uma pausa para avaliar quem pode ser identificado, exposto ou prejudicado antes que o conteúdo seja publicado — uma pausa que este módulo pretende tornar parte da sua rotina digital.
Referência — requisitos legais do anúncio profissional
Depois de decidir sobre a situação de Larissa, o que a norma exige, ponto a ponto, de um anúncio profissional de Enfermagem?
O infográfico a seguir reúne, para consulta, os requisitos legais de um anúncio profissional de Enfermagem nas redes sociais — o mesmo tema do Episódio 4, agora como material de referência, após a decisão já ter sido tomada.
A publicidade profissional de Enfermagem, como a de qualquer categoria regulamentada, precisa refletir com exatidão a habilitação real de quem anuncia — título, número de inscrição no Coren e a categoria efetivamente registrada — sem prometer resultado garantido. O infográfico a seguir organiza esses requisitos de forma objetiva, para consulta rápida sempre que uma dúvida semelhante à de Larissa surgir na sua própria prática.
Guarde este infográfico como referência: os mesmos critérios — categoria real, inscrição, e ausência de promessa de resultado — valem para qualquer publicação profissional sua, não apenas para quem cria um perfil comercial como Larissa.
Retomando o caso de Júlia
Depois de acompanhar as quatro situações deste módulo, é possível olhar novamente para a mensagem que Júlia enviou ao grupo do bairro com outros olhos: mesmo sem citar o nome do paciente, a combinação de faixa etária, região, período de internação, tipo de complicação e medicamento foi suficiente para que ele fosse identificado — o mesmo tipo de risco presente no vídeo gravado no ambiente de trabalho, na imagem da senhora no abrigo e no perfil de Larissa.
Em nenhuma das quatro situações havia má intenção. O que faltou, nas quatro, foi a mesma pausa: parar antes de publicar e perguntar quem pode ser identificado, exposto ou prejudicado por aquele conteúdo.
Escolha, nos próximos 30 dias, colocar em prática estas três mudanças concretas na sua rotina digital:
- Pausa antes de publicar. Antes de compartilhar, gravar ou publicar qualquer conteúdo relacionado ao trabalho, pergunte-se: essa informação pertence só a mim? Essa imagem expõe alguém que não pode decidir por si?
- Checagem do que aparece ao fundo. Antes de gravar no ambiente de trabalho, observe o que fica visível — nome da instituição, escalas, prontuários, materiais de assistência ou pessoas não identificadas que não deram consentimento.
- Revisão da sua presença profissional online. Se você mantém um perfil pessoal ou comercial relacionado à Enfermagem, confira se a categoria e o número de inscrição declarados são exatos e se nenhuma publicação promete resultado garantido.
Pensando nas quatro situações deste módulo — Júlia, o vídeo no ambiente de trabalho, Marcos e Larissa — em qual delas você reconhece uma situação mais próxima da sua própria prática? Qual das três mudanças do seu plano de 30 dias exige mais atenção da sua parte agora? Não existe uma resposta certa aqui: o objetivo é identificar, com honestidade, onde está o seu maior ponto de atenção.
Se alguém, hoje, revisasse os últimos 30 dias das suas publicações relacionadas ao trabalho, o que essa pessoa encontraria?
Parabéns! Você concluiu o Módulo 1
As situações analisadas neste módulo têm em comum a necessidade de avaliar, antes de qualquer publicação em rede social ou meio digital, se a informação compartilhada permite identificar uma pessoa atendida, se o ambiente e os elementos de uma gravação expõem a instituição ou os pacientes, se uma imagem de pessoa vulnerável está sendo exposta sem condições reais de consentimento, e se a comunicação profissional representa com exatidão a categoria, a habilitação e os resultados que podem ser oferecidos.
Temas abordados aqui:
- Sigilo, privacidade do paciente e proteção de dados sensíveis.
- Conduta no ambiente de trabalho e resposta a publicações já realizadas.
- Vulnerabilidade, consentimento e uso de imagem de pacientes.
- Publicidade profissional, categoria e limites de atuação.
A Resolução Cofen nº 554/2017, o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e a Lei Geral de Proteção de Dados sustentam, em conjunto, os limites éticos e legais que orientam essas decisões. Reconhecer situações de risco, avaliar suas implicações éticas e legais, e selecionar a conduta profissional mais adequada são competências que se aplicam tanto às situações fictícias apresentadas neste curso quanto à prática profissional cotidiana da Enfermagem nos meios digitais.
Avaliação Final do Curso
Cinco questões, cada uma ancorada em uma das situações que você acabou de acompanhar — Júlia, Marcos, o vídeo do intervalo e o perfil de Larissa. Leia a vinheta, escolha a conduta que considera mais adequada e leia o feedback completo antes de seguir para a próxima questão.
Questão 1 de 5
Referências
BRASIL. GOVERNO DIGITAL. GOVERNANÇA DE DADOS. Guia de boas práticas: Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Brasília, DF, 2020.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução Cofen nº 554, de 20 de dezembro de 2017. Estabelece os critérios norteadores das práticas de uso e de comportamento dos profissionais de enfermagem, nos meios de comunicação de massa: na mídia impressa, em peças publicitárias, de mobiliário urbano e nas mídias sociais. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-05542017/. Acesso em: 12 set. 2026.