Olá, boas-vindas ao Módulo 3 do curso Saúde Sexual em Foco: Enfermagem de Alta Performance no Enfrentamento às ISTs · Curso 4 do Coren-SP. Neste módulo, vamos conversar sobre como organizar o Projeto Terapêutico Singular para casos complexos, garantir que referência e contrarreferência circulem nos dois sentidos, coordenar diferentes pontos de cuidado sem perder a centralidade da pessoa atendida, e conduzir a busca ativa de parcerias sem romper o sigilo.
Bons estudos!
Caso disparador — Um encaminhamento não é um ponto final

O enfermeiro Diego, já apresentado nos módulos anteriores, precisa encaminhar uma pessoa atendida na unidade a um serviço especializado que a Atenção Primária à Saúde não oferece.
Diego sabe que preencher o formulário de encaminhamento é só o começo: falta decidir quanto detalhar a história clínica para o serviço de destino, e o que fazer se o retorno da especialidade — a contrarreferência — não chegar. Este módulo desenvolve o raciocínio que sustenta essas duas decisões.
O que você vai aprender
Ao final deste módulo, você será capaz de:
- Organizar o Projeto Terapêutico Singular em diagnóstico ampliado, metas, responsabilidades e reavaliação para casos complexos.
- Distinguir referência de contrarreferência e reconhecer o vazio assistencial criado pela ausência de retorno informacional.
- Aplicar a gestão de caso e o PTS diante de coinfecção e vulnerabilidade social, sem perder a centralidade da pessoa atendida.
- Reconhecer os limites éticos da busca ativa de parcerias, preservando o sigilo sobre o diagnóstico da pessoa buscada.
- Explicar, documentar e reavaliar decisões de coordenação do cuidado na Rede de Atenção à Saúde.
Antes de assistir, pense em um caso que você acompanhou ao longo de vários pontos da rede de saúde.
A videoaula apresentou a gestão de casos como coordenação longitudinal; as próximas seções detalham como essa coordenação se organiza na prática.
Seção 1 — Gestão de casos e PTS
O Projeto Terapêutico Singular organiza diagnóstico ampliado, metas, responsabilidades e reavaliação em um plano compartilhado.
Casos complexos exigem diagnóstico ampliado, metas compartilhadas, responsabilidades definidas e reavaliação periódica: o Projeto Terapêutico Singular organiza esses quatro elementos em um plano compartilhado e revisável.
O plano é singular porque responde a necessidades clínicas e sociais concretas de cada pessoa: define responsabilidades claras entre equipe e usuário, e é monitorado e ajustado ao longo do tempo.
Na sanfona a seguir, explore os quatro momentos do PTS: diagnóstico, metas, responsabilidades e reavaliação.
Organizado o PTS em quatro momentos, a próxima seção trata da circulação de informação entre os pontos da rede: referência e contrarreferência.
Seção 2 — Referência e contrarreferência
A informação precisa circular nos dois sentidos: no encaminhamento e no retorno.
Pontos da Rede de Atenção à Saúde têm densidades diferentes e precisam garantir comunicação nos dois sentidos — no encaminhamento e no retorno. O encaminhamento comunica história, condutas, riscos e objetivo; a APS retoma o acompanhamento longitudinal a partir do retorno recebido.
Sem contrarreferência, a APS perde a capacidade de acompanhamento longitudinal: prontuários fragmentados e comunicação insuficiente entre os pontos da rede criam vazios assistenciais para a pessoa atendida.
No fluxo interativo a seguir, percorra as três etapas do percurso da informação entre a APS e a especialidade — incluindo o que acontece quando esse fluxo falha.
Percorrido o fluxo de referência e contrarreferência, a próxima seção aplica esse raciocínio a um caso de coordenação mais complexo.
Seção 3 — Coordenação de caso complexo
Encaminhar não significa abandonar a coordenação do caso.
Coinfecção e vulnerabilidade social exigem articulação entre APS, especialidades e proteção social: o caso reúne necessidades clínicas e sociais que precisam ser coordenadas entre APS, alto risco, infectologia, assistência social e ACS, sem que a pessoa atendida perca a centralidade do cuidado.
Aplicar a gestão de caso e o PTS diante de coinfecção e vulnerabilidade social significa manter metas imediatas, responsáveis definidos e um canal de retorno ativo entre todos os pontos envolvidos.
Na HQ interativa a seguir, ajude a equipe a coordenar o cuidado de uma gestante com coinfecção e vulnerabilidade social, sem perder sua centralidade.
Coordenado o caso complexo da gestante, a última seção trata da busca ativa de parcerias sem romper o sigilo.
Seção 4 — Parcerias e busca ativa
A busca ativa protege quando recupera o vínculo e preserva o sigilo.
Comunicação assistida, acesso facilitado e busca ativa podem reduzir reinfecção e faltas às consultas, sempre preservando o sigilo sobre o diagnóstico da pessoa buscada.
Nenhuma estratégia de busca ativa autoriza revelar diagnóstico a terceiros: no território, a comunicação deve usar mensagem neutra, sem revelar diagnóstico a familiares.
No podcast dialogado a seguir, acompanhe apresentadora, enfermeira e ACS discutindo como localizar e acolher sem revelar diagnóstico.
Discutidos os limites éticos da busca ativa, a síntese a seguir reúne PTS, referência/contrarreferência, coordenação de rede e busca ativa em um único raciocínio sobre gestão do cuidado.
Antes de continuar, retome o caso do enfermeiro Diego apresentado no início deste módulo. Na HQ interativa a seguir, você acompanha o mesmo Diego em dois pontos de decisão sobre como preencher um encaminhamento e como agir diante da ausência de contrarreferência. Caso fictício, construído para fins pedagógicos — pendente de validação docente e normativa.
As duas decisões de Diego mostram, na prática, que a gestão do cuidado na rede não termina no envio de um encaminhamento — comunicar bem e buscar ativamente o retorno são partes da mesma responsabilidade.
A avaliação a seguir retoma, em cinco vinhetas de decisão, os principais conceitos deste módulo, com feedback específico para cada alternativa.
Concluída a avaliação, você chega ao fim deste módulo sobre gestão do cuidado e articulação na Rede de Atenção à Saúde.
Retomando o caso — Diego

Voltando ao caso de Diego: o encaminhamento bem feito comunica história, condutas, riscos e objetivo — não apenas o nome do serviço de destino. E quando a contrarreferência não chega, a conduta não é considerar o caso encerrado para a APS, mas buscar ativamente a informação e documentar essa busca. Coordenar o cuidado na rede significa isso: comunicar bem na ida e não abandonar a coordenação enquanto o retorno não chega.
Parabéns! Você concluiu o Módulo 3
A gestão do cuidado na Rede de Atenção à Saúde depende de organizar o Projeto Terapêutico Singular para casos complexos, garantir que referência e contrarreferência circulem em dois sentidos, coordenar os diferentes pontos de cuidado sem perder a centralidade da pessoa atendida, e conduzir a busca ativa de parcerias sem romper o sigilo. A autonomia profissional se fortalece quando cada uma dessas decisões de coordenação tem fundamento, limite e continuidade documentados.
Temas abordados aqui:
- Projeto Terapêutico Singular: diagnóstico, metas, responsabilidades e reavaliação.
- Referência e contrarreferência: a informação precisa circular nos dois sentidos.
- Coordenação de caso complexo sem perder a centralidade da pessoa atendida.
- Parcerias e busca ativa sem romper o sigilo.
No próximo módulo, o foco muda da articulação na rede para a prevenção, a vigilância e a organização do consultório de Enfermagem.